Houve épocas em que recitava poemas, e escrevia canções, houve tempos em que qualquer brilho nos olhos me era de extrema inspiração, hoje, somente aquele minucioso brilho da chuva sob a rua molhada me traz tal desejo de relatar. Relatar o brilho das estrelas, e a imensidão do mar azul em choque com o céu ao horizonte. Esse horizonte que está a tanto aos pedaços. Esses lápis com as pontas gastas nem representam mais a ponta de meus dedos calejados de mórbidas mentiras, ou os arranhões nas mãos ao proteger-se de um tombo maior ensaiado. Pregada mais uma peça da orquestra silencio enquanto a trágica vida eterna é ensaiada. Esta eternidade que todos idolatram, mas perguntam-se algumas variadas vezes se a morte não seria pouco melhor, não é?
E não me venhas dizer sobre a dádiva da vida, pois a menina chora ao mármore, com os olhos escancarados pedindo para se ir, implorando ao céus. E a mulher deixa algumas lágrimas na orla do mundo, enquanto o amado se vai, e todos esses sórdidos homens sujam as mãos enterrando suas almas. Pobres almas que se doam ao infinito, curam os corações com mais ilusionistas promessas, e selam o pôr do sol com beijos. Esses tal beijos de vampiro, que sugam e resgatam toda aquela melancolia de quem amou e foi torturado pelo destino, mais uma vez. E o ciclo vicioso recomeça, até que a morte os separe. Separe a fantasia do real, o céu do inferno. Para que não existam tantas guerras entre os sonhos da madrugada e os pesadelos de olhos abertos.
02.02.12
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