quarta-feira, 21 de março de 2012

E o rei pediu perdão


Deixe este rei falecer, desapegar de sua desdita tão dolorosa, deixei-o morrer. E morreu, adormece entre o céu e o mar, estas linhas tão tortas que fantasiamos tanto quanto o amor enigmático que pensamos sentir. Agora morre rei de dores, o solar dos cisnes já não tem mais cisnes, e meu coração já não tem mais paixão por essa vida. Por ora leve-me junto com o rei, faça-me de rainha do submundo que tanto conheço, pois sou íntima desses pesadelos efêmeros e do plúmbeo vale abaixo. E deixe-me enterrada em minha cama, aos lençóis marejados de pleno amor pelas folhas secas do outono porvindouro. 
Há muito que me suicidei nessas mórbidas caligrafias, pois minha caligrafia sofre de metamorfoses, mudou o pincel não tem mais afinidade com minha mão, e meus olhos são sensíveis à luz. Deixe o portão entreaberto, apague as velas. Perco a razão entre as águas do lago, onde eu fora jogada por outrora. Enquanto morria, meus olhos cegavam o coração da rainha que veio ao mundo. Eu, rainha. E esta rainha que dialoguei por momentos inóspitos, não me reconhece mais, ah... Minha cara, quem diria que a morte de uma pomba viria ser tão melancólica para seus dias. Quem diria que o rei morreria pelo desgosto de uma consciência dada como castigo, e que as razões pelas quais amo as flores, são as mesmas por que a chuva pinga em mim. E vêm em intervalos frenéticos essa chuvarada como na manhã me que o rei faleceu. A tempestade o desapontou.
Deixaremos então, o rei com seus escrúpulos, e ficaremos com os nossos. Eu, rainha, vou afundar pouco mais nas águas límpidas durante a noite. Para que os raios de sol em complô com a água não me cegue, já basta esse amor cegar-me. E o amor pelo rei, morreu junto a seu coração, a linha reta do horizonte que traça nossa monotonia, entortou-se enquanto traçava paixão, e o amor é este círculo, pêndulo que oscila entre os olhos lacrimejantes e sonolentos, enquanto beijamos de boa noite. O rei morreu na madrugada passada, graças à sua consciência divina que tortura, e razão ninguém sabe, mas havia um bilhete pedindo perdão.

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