terça-feira, 13 de março de 2012

Rejuvenescer

Tropecei nas reticências, amor, me desculpe pelo impasse, mas estas vírgulas já não me separam mais de ti. Houve épocas em que éramos tão unidos a ponto de romper qualquer teia, mas era eu e você. Eu ainda me fazia de mariposa no canto do quarto, e engatinhava até a beirada da cama. Mas me refiz, me recriei, e voejei até sua janela trancafiada e pincelada com pouco amor, pouca confiança e pouca saudade. Reescrevi-me, amor, com a tua caligrafia, com todos os teus erros e linhas tortas que enlaçaram meus olhos e alma, esta minh'alma tão tua, tão bela e que se fez de pura para ressuscitar paixão e pássaro. Sou tua andorinha.
Mas amor, não relate, por ora, nossas canções, nem contemple o pôr do sol, somos céu e mar, no horizonte, ao longe, naquele "onde", que tantos imploram saber para endereçar cartas e lamúrias de abandono. Onde meu coração se envolveu na ampola fantasiosa, nestes recônditos vales que ninguém pisou, nem pisoteou suas rosas avermelhadas. Deixemos amor, para cantarolar ao entardecer de nossas vidas, narrar nossa epístola aventura, nossos passos a dois, dois pés. Esquecemos por outrora de reviver, e agora rejuvenesceremos, somos largada encasulada. 
Que cárcere! Encontra-se a mariposa, enquanto o beija-flor não exala o cheirinho de amanhecer, o sol cegando as pálpebras, o barulho da vidraça da janela. Que relicários eu fiz de nós, sonhando, levitando entre fagulhas de beijos que respingam no peito. Nessa exclamação que suspiramos ao idílio da sublime estrela que despenca da amplidão, e despenca em nossos olhos. Choro. Soluço. Decaio ao mármore gélido e resfrio meu coração até que não caiba mais nenhuma ponta de dor, para que a saudade seja a única a afogar-me. Amor, me salva, corre, suspire até a minha janela, atire pedrinhas, atiça as borboletas, e eu me farei de fada. Tua fada entre aspas. 

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