Cuidado para não derrubar as flores na janela, nem espantar os pássaros, o canto deles me acorda dos sonhos em que vivo presa. Deixe o noturno choramingar, e outros anunciarem o dia. Não julgue as andorinhas que não fazem verão, pois nem eu que escrevo sei poetizar. Não me culpe por maravilhar-me com a bela adormecida, ou relatar desamores e sonhos caídos. Pois eu faço de pesadelos, inverno, e das partidas, lirismo.
Deixei meu cabelos sujos de areia, a mesma em que escrevi nomes, quantos nomes me vêm na ponta da lingua, e quantas mortes sepultei. Pois aprendi de um jeito tão dantesco, me desapegar, depois de tanto correr e machucar as costas carregando todo esse mundo, esqueci-me de transbordar o copo, e o copo esqueceu de pingar. Bebo somente em taças! Aprecio somente os amores-perfeitos, e prefiro a areia azulada, molhada da chuva, e as folhas gotejadas de tempestade castanha, enquanto deixo meus olhos para as nuvens. E não me culpe pela cor da tempestade, pois, meus olhos tem o negro da noite, e o cinza do dia sempre os iluminou.
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