Mudaram as estações, e estas transcenderam algum ímpeto de saudade. Não há espaço para sentir falta, nem brechas de nostalgia, não há espaço para repensar, nem repescar, não há boas condutas, e o caráter nunca existiu, nem resistiu a defender aquele egoísmo que ecoa nas paredes de vidro. Paredes ensanguentadas, cada palavra dita e soprada aos prantos apedrejou nossa alma, e os alicerces que suportavam a áurea escurecida desabaram. Os passos foram dados em vão, e as cortinas cor de laranja não permitiram alguma luz nos olhos, o quadro negro foi coberto de verbos dardejados. E eu escrevi tantas malditas e mal ditas resenhas que nem sei onde escondi minha verdadeira ortografia. As cartas e os bilhetes se eternizaram em algum chão frio.
Cada estação que morreu ano passado deixou-se levar pelo egocentrismo e pela perseverança de querer ser, poder, nenhum de nós aceitou acreditar. Por que aceitar as rosas se os espinhos machucam tanto? Por que esquecer que essas são tão perfumadas que a picada nem dói tanto? Por que tanto? Para que pranto? Deixe o inverno prantear então, já que nós não perdoamos, somos escafandro em demasia. E esse insofismável ódio empoeirado nas estantes de poemas que não lemos, e livros que não abrimos, trancafiou todo a ternura. A perfeição foi esquecida, não há espaço para chorar sobre o mármore, nem pele esbranquiçada, o rosto está cicatrizado, arranhado. Não houve mais recitais sobre as manhãs douradas. Não há espaço para alguma palavra bem dita.
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