Os rascunhos estão na lareira pegando fogo e o coração
morre, falece a última flama de querer. De que adianta desejar e somente
desejar? O amor platônico perde seu encanto quando deixa de ser secreto, e o
sol morre ao anoitecer, quando a última vela que os anjos deixaram é apagada, o
cheiro de fumaça deixa pingos de desesperança no quarto, e a janela está
trancada. Não sei por que diabos a menina na calçada chora ao término do livro,
nem porque a mulher cai aos prantos quando as rosas morrem, se cada estrela
está lá para ser vista, mas nenhuma brilha fora da escuridão.
Mentira. Falácia oculta e cruel, peito inchado de martírio,
as voltas do coração entorpecidas por alguma raiva amenizada pela chuva, olhos
tiritantes, onde está o choro? O pranto e o grito de desespero? Dantescas
noites em claro que passamos por almas vagas, não? E as estrelas morrem, o
brilho falece, o choramingo recomeça, a menina tropeça, e o rascunho rasga. É
uma tênue linha entre a verdade e a crueldade.
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