Foi algo como o sinônimo de esquecer, e voltar, perdoar...
Não recordo direito
O que especificamente,
minha criança?
Vago,
vagarosamente as palavras jorravam, assim como a chuvarada de hoje à tarde. Bem
como veio a mesma, acreditamos serem pedras, mas eram apenas pesados pingos de
alguma infindável memória. Quando aquela cortina esbranquiçada cria-se no
horizonte, os olhos não distinguem a falsidade da utopia, nem o céu das
montanhas mármores que se findam na linha meio torta junto à tempestade. Não
consegue se relatar lembranças sem uma história, nem contar uma história quando
o epílogo já é tão mórbido quando as asas de uma borboleta molhada. E molha,
goteja cada ponta de nostalgia e alguma saudade torturante, de algo tão
insofismável quanto a cor das orquídeas lustrosas pelo orvalho. Porque reluz,
ilustra cada pedaço de paixão, narra cada trágico final, em sofrimento alhures.
Aos agradecimentos, os mortos, os coitados, que foram ao túmulo por amor.
Pois não existe mármore mais escurecido quanto ao fim de um
amor sublime, idílios que desaparecem enquanto a nevasca surge. Tu remexes nas cinzas, algumas brasas
esperançosas reascendem, mas a chama apaga-se pela eternidade. Enquanto a alma
implora, o âmago já foi crucificado. Lembras do café adocicado, deixado de lado
pelo poeta aos prantos? Este mesmo, não voltará aos pontos pretos que
borboleteiam na borda, junto ao leite derramado. Chore, chore, e chore, faça-se
de criança por ora. Porque qualquer outra manifestação será ignorada pela vida,
pelo destino algoz.
E ao fim do declame, vieram mais alguns vexames, lamentos e
mentiras matinais. O abrir dos olhos, úmidos, quentes, doloridos. Depois da
ressaca tortuosa, a paixão apagou-se. Quanta lamúria, minha criança, sabia que
a vida era assim mesmo, não?
Pensei que seria, mas
a melancolia dos dias de neve esfriou o café, e meu coração congelou, já não
sei apreciar as flores.
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