Datilografei
essa desesperança tão grosseiramente que até as pedras destroçaram-se ao som de
minha voz, choro, pranto. Implorei para que as borboletas não se fossem, mas a
chuva recomeçou. O mármore tocou tão frio, e os chopins esconderam-se. A dor
pendeu em minha boca e jogou-se na cama, deitei e me tapei com ela, ficamos
ambas quentes e calorosas, abafei o choro e adormeci. Ah... se tu pudesses me
declamar ternura, estaria com um sorriso lutando contra as lágrimas, ao suor da
dor ao meu lado. Nós duas nos tornamos tão íntimas que sabemos quando virá
temporal, e ficamos na janela, expiando e vigiando os pássaros mortos e as
árvores dançando no mártir de uma vida que se esvaiu, num livro de estórias não
lançado, na morte de um poeta sofredor e risonho. Ah... se tu pudesses voltar,
voltarias chorando.
terça-feira, 31 de julho de 2012
Noite mal-dormida
Escalei
minhas póstumas lembranças de um ar intrigante, superante, que teme em dizer a
verdade, mas nega entregar-se a falácias, e eu minto, que infâmia! Que
desastrosa surpresa preparei para esta madrugada. Ah... se tu pudesses me
escutar, se qualquer ponta de memória minha fosse capaz de trazer algum rosto a
frente de meus olhos, uma voz aos meus ouvidos, alguma estação ao meu
aniversário. Algumas flores na porta, risadas no escuro e toda essa melancolia
que abala minhas lágrimas. Fiz tempestades em jarras, copos, moinhos, e
borrascas caíram em minh'alma. Virei esperança fadigueira.
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