Havia uma clareia no meio da ventania e das folhas relutavam com o vento, a janela quase quebradiça ardia nos meus olhos. O vendaval cantarolava rancor, o céu de minha boca estava cinzento, nenhuma palavra fora dita. Os olhares da madrugada se viam além da vidraça, não havia inspiração do sol. O amanhecer estava enfraquecido, as nuvens se esbranquiçaram e eu admirava as borrascas de lembranças partidas. Lembrança do que não existiu. Das cores sóbrias que pintaram o céu. Que saudade do amanhecer morto!
Choramingava o pássaro pousado no galho, e meu desespero pousou nos ombros de minha alma. Trovejava a cada grito meu ensurdecido, virei amante do céu escuro de onde escorriam lágrimas. A clareia alaranjada se foi. O céu estava castanho escuro, meus olhos tiritavam de adoração ao vendaval.
Céu negro, cinza, púmbleo, bordado com linhas de tricô envelhecidas. O sol escondeu-se enquanto eu apedrejava meu medo e me condenava a perpétua saudade da manhã que nasceu. Era uma bela paisagem mórbida para os pássaros lamentarem na chuva. A manhã não se alicerçou. Escuro.
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