domingo, 9 de setembro de 2012

O vento sussurra


Saibas que o vento lá fora sussurrou comigo esta noite, a chuva atrapalhava suas palavras que se confundiam com o derrame infindável de promessas sobre uivar. Mas eu o entendi, “o amor acaba”, ele dizia, e eu sorria, “eu percebo”. E o vento trovejava, e se indignava com as pancadas que as almas levam e dão, com as palavras friorentas que são ditas, e engolidas, e mastigadas! O vento também ironizou as formas de conviver, de viver, e sobreviver. Eu não sobrevivi.  Apenas relato, declamo e faço verso de toda essa dor que cai dos olhos dos outros, das mágoas que viram pena, e da tristeza que vira morte. E mata. O vento me ensinou a matar cada ponta de nostalgia e fantasia, ele soprou dizeres e poemas sobre o amor maltratado, este é o mais belo de se mostrar. De se ver, e de se rir. Deixe as pombas molharem as asas, morrer no frio e rabiscar o céu, as deixe demonstrarem dor e amor. Dedique uma música a sua amada, e dê o nome dela a uma estrela, e depois sussurre “vou embora”, deixe as rosas secarem em cima da mesa, as cortinas verdes desbotarem, e o vento acalmá-la. Como me acalmou.
A chuva goteja algo em outra língua que eu não sei dizer, e não sei explicar, na verdade nunca vou saber dizer sobre o amor, nem sobre a mágoa, muito menos sobre o perdão. Ah, perdoar! Perdoar o amor faltado, a ventania em dias quentes, a lágrima que secou e o coração que se despejou aos alicerces de algo não abstrato. Minha janela estava aberta para a pomba machucada entrar, e eu esperei, esperei horas, esperei tantas badaladas que cansei e tranquei a janela. E assim tranquei o amor, a dor, o desânimo. Pena que a mágoa ficou. E permanece aqui, ela e o vento cantarolando nas tempestades que meus olhos fazem. Quando a lágrimas quer cair e fica, e volta, e cai entre os lados da minha face.  Deixei o vento dizer-me adeus por hora, a chuva afinou e revoltou-se no horizonte, partiu para lá. E o amor ficou na janela, esperando junto à dor, o belo par. Saibas também, que eu aprendi a dizer “te amo”, e desaprendi a dizer “adeus”, não sei me despedir das pombas. Pobre alma a minha, que escreve sobre amor e só sabe sentir dor!

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