Ninguém notou o
besouro no canto do quarto, suas asas eram tão belas! Esses seres pequenos voam
tão longe, tão alto, tem as asas duras e quase inquebráveis, enquanto nós temos
as lágrimas penduradas nos olhos como orvalhos em folhas verdes. Queremos ter
cores, admiramos a borboleta, mas ninguém viu a mariposa atrás da porta,
escutando nossas exclamações na beira da cama. Aquela pequenina com asas que
sabe de nossas confidências e relata nossos trechos de lágrimas. Aquele zum-zum
em dia de sol, em dia de dor, que tanto reclamamos, e despencamos ao ouvir um
ato de despedida. O besouro voeja, pousa nas flores e nos posamos no
travesseiro encharcado de penúria e penas. Seu élitro o carrega, o protege,
enquanto esquentamos nossas mãos raspando uma na outra. Não fugimos, não
voamos, não somos coloridos e ironizamos o sofrimento. Inveja tenho da mariposa
que gargalha da nossa pouca esperança atrás da porta!
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