domingo, 4 de novembro de 2012


Ninguém notou o besouro no canto do quarto, suas asas eram tão belas! Esses seres pequenos voam tão longe, tão alto, tem as asas duras e quase inquebráveis, enquanto nós temos as lágrimas penduradas nos olhos como orvalhos em folhas verdes. Queremos ter cores, admiramos a borboleta, mas ninguém viu a mariposa atrás da porta, escutando nossas exclamações na beira da cama. Aquela pequenina com asas que sabe de nossas confidências e relata nossos trechos de lágrimas. Aquele zum-zum em dia de sol, em dia de dor, que tanto reclamamos, e despencamos ao ouvir um ato de despedida. O besouro voeja, pousa nas flores e nos posamos no travesseiro encharcado de penúria e penas. Seu élitro o carrega, o protege, enquanto esquentamos nossas mãos raspando uma na outra. Não fugimos, não voamos, não somos coloridos e ironizamos o sofrimento. Inveja tenho da mariposa que gargalha da nossa pouca esperança atrás da porta!

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