A libélula mora em uma caixinha de música. Toca piano e dança no espelho. Gira e gira. Acordo com a tampa da caixinha aberta e seu canto melódico, como um melro perdido no céu espelhado. Vê a si mesma e chora, canta e conversa com o piano, vê suas asas frágeis e inveja o canto da cigarra liberta lá fora. Apaixona-se pelos pássaros, amor trancafiado.
Pobre libélula que vive presa entre lembranças e sopro de vida. És pequena tu, libélula, mas quão grande é tua alma! Afaga as feridas alheias e expõe as suas asas na luz da noite.
Dor também tem reflexo. As lágrimas são espelhadas.
Nunca havia visto a mim mesma com tanta claridade, há luar. Os galhos dançantes derrubaram meus pássaros, a libélula perdeu seu amante. Aquele melro perdido ouviu seu canto enrubescido e veio ao encontro dela. Ambos voejavam, num mundo monótono, a libélula aprendera a crescer a partir de seus medos. Meu amor morreu, mas havia outras reticências o melro e a libélula enlaçaram-se, e eu me apaixonei pelo seu eufemismo sobre a vida.
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