segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Dois

Círculo ferrífero em volta dos dedos, e leves laços que juntam nossas mãos. A uma distância segura de quase morrer de saudade e não ser o bastante pra deixar fluir. Foi quase isso que tentei montar e remontar, e remontar. Mas tropecei nos últimos meses, e me desculpe pela falta de delicadeza. Mas tudo amorneceu, e esfriou rápido demais. Ouvir tua voz e acabar sem dizer ‘’boa noite’’ é a coisa mais fácil do mundo. Pelo contrário, olhar nos teus olhos dizendo que não dormi bem noite passada por causa tua é mortificante. Não pelo fato de não dormir, tenho insônias muito maiores que um dia inteiro, mas porque depois dessas palavras vêm aquelas que ninguém quer ouvir, e nem eu queria te dizer.
E eu me recuso a cada instante interminável de olhar para trás. E tu te atreves a querer montar um futuro, mas pra mim já faltam tantas peças neste quebra cabeça! E quebrou, literalmente, cada parte que eu não senti hoje, e foi variando, entre olhos, boca, sorriso e mãos. Mas o círculo ainda está em meus dedos, só que o teu laço virou nó. Inúmeros nós, nos dedos, na garganta e esse nós na gente, que faz tempo que eu aperto o meu, mas tu não o seguras firme. Pois são dois laços, pra duas mãos, mas em uma curva.

És sobre ti, não sobre mim, que eu penso e repenso, mas é em mim, e não em ti, que eu sinto falta.

Procurei, incansavelmente, as tuas mãos, teus olhos, tu. Em mim, no meio do caminho, no banco da praça, e no ano passado. Achei. Nos primeiros dias de primavera e nos últimos de inverno. Apenas. Onde estás tu agora?


Onde que eu encontro o nosso laço de novo? 

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