Círculo ferrífero em volta dos dedos, e leves laços que
juntam nossas mãos. A uma distância segura de quase morrer de saudade e não ser
o bastante pra deixar fluir. Foi quase isso que tentei montar e remontar, e
remontar. Mas tropecei nos últimos meses, e me desculpe pela falta de
delicadeza. Mas tudo amorneceu, e esfriou rápido demais. Ouvir tua voz e acabar
sem dizer ‘’boa noite’’ é a coisa mais fácil do mundo. Pelo contrário, olhar
nos teus olhos dizendo que não dormi bem noite passada por causa tua é
mortificante. Não pelo fato de não dormir, tenho insônias muito maiores que um
dia inteiro, mas porque depois dessas palavras vêm aquelas que ninguém quer
ouvir, e nem eu queria te dizer.
E eu me recuso a cada instante interminável de olhar para
trás. E tu te atreves a querer montar um futuro, mas pra mim já faltam tantas
peças neste quebra cabeça! E quebrou, literalmente, cada parte que eu não senti
hoje, e foi variando, entre olhos, boca, sorriso e mãos. Mas o círculo ainda
está em meus dedos, só que o teu laço virou nó. Inúmeros nós, nos dedos, na
garganta e esse nós na gente, que faz tempo que eu aperto o meu, mas tu não o seguras
firme. Pois são dois laços, pra duas mãos, mas em uma curva.
És sobre ti, não sobre
mim, que eu penso e repenso, mas é em mim, e não em ti, que eu sinto falta.
Procurei, incansavelmente, as tuas mãos, teus olhos, tu. Em
mim, no meio do caminho, no banco da praça, e no ano passado. Achei. Nos
primeiros dias de primavera e nos últimos de inverno. Apenas. Onde estás tu
agora?
Onde que eu encontro o
nosso laço de novo?
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