Foi pétala que despencou, sem meus dedos apertarem a sua
mão. E nos deixamos ir longe demais por uma flor que faleceu. Discretamente
dizemos adeus todos os dias, e a cada pétala se vai uma pequena dor e uma
pequena consideração do quanto foi amor e do quanto foi paz. Do quanto se fez
noite, fizemos a noite de um dia ensolarado e o quanto iluminamos as manhãs
frias. Talvez tenha sido essa inversão falsa e frenética que nos fez
despercebidamente não despertar em um amor que fraquejou, mas sim essa paz que
apedrejava cada lábio nosso.
Cada lábio que salpicado de lágrimas abriu-se sorriso.
Tantas palavras e tantos olhares pra tão pouco se fazer. A respeito da pétala,
fui eu que arranquei a primeira, e assim você a segunda. Brincando de “mal me
quer, bem me quer”, ficamos com o mal disfarçado de efêmero.
Por que você, por que
não eu?
Porque é doce, cada parte de ti, cada esverdeado das mãos é
em paz que segura as minhas. E essa segurança talvez não seja minha, mas sua.
Talvez essa monotonia que de tanto pingar esgotou, ou transbordou. E eu
precisava de uma ou de outra, sem flutuar. Afoguei todas as rosas, deixei-as
encharcadas, mas pelo menos se sabiam de tal modo. E eu não sabia nem de mim,
não acreditava nem no “boa noite” e o beijo na testa. Nem em qualquer pétala de
bem me quer. Elas não me queriam. E nem nós dois sabíamos o bem que queríamos,
ou o que não queríamos, para evitar qualquer mal entendido. Nos beijamos. E
então cada pétala se refaz e remonta uma rosa escrita em lápis cor de rosa.
Mas o papel molhou, e
apagou a rosa, e apagou a gente.
É lindo demais, é inebriante, é puro encantamento assim como quando despertamos para o amor e mergulhamos nas águas doces e cristalinas do mais nobre sentimento e tecemos sonhos e vivemos embalados por acordes que fluem de nosso coração que flutua em versos de sol e estrelas e que nos leva à uma estrada de luz e flores, mas que outra estrada caminha paralela à essa e nos deparamos com espinhos e inúmeras pedras e precisamos sobrepô-los para não nos perdermos em algum derradeiro penhasco, pois nossa estrada de sol requer e precisa de nossos passos para desvendar suas sutilezas e deixar derramada nela nossos sonhos e nossas alegrias. Te amo minha filhota linda, te amo infinitamente, até na memória silenciosa de Deus.
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