Como uma voz de quem
quer falar baixo mas dizer bem claro, ele disse o quanto seu rosto lembrava um
céu cor-de-rosa, que todos os seus tipos de sorrisos se abriam entre
constelações.
E ela se fez de céu, primeiramente da boca, molhada e recém-beijada,
que espera pelo toque para depois estremecer em estrelas, e dançar por dentro
da pele, dentro da noite. Num céu dela, somente dele, que os fez em
constelações e universos inversos, que se eclodem nas mãos juntas, os pulsos
sobre postos e os corpos esfarelados em pó de céu. Esse mesmo céu que, por
segundo, se fez do rosto dela, o manto dele, para proteger e acalentar, passear
pelos olhos em forma de lua, cinza, cor de olhos apaixonados. Porque são
transparentes, cinzas, nada cor de rosa, porque choram, e nada de vermelho,
porque já deixaram de ser chama, são apenas espelhos, dele que se reflete.
E disse bem alto, desta vez, que de todas as luas cheias de
todas as semanas, a sua lua minguante era a preferida, que bastava, porque o
amor não basta em si, nem no outro, mas basta a lua e um céu fantasioso para se
criar fantasias, no mesmo céu em que se choraram prantos. Lindos prantos,
porque nada dele não era dela, nem mesmo as lágrimas, nem mesmo a boca, nem o
céu.
E o céu fez lembrar o
rosto dela, os olhos tinham as imperfeições da lua, e eram completos nele, na
sua própria constelação. Porque os teus olhos se esparram nos meus a cada lua
cheia.
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