quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

O céu do teu rosto

Como uma voz de quem quer falar baixo mas dizer bem claro, ele disse o quanto seu rosto lembrava um céu cor-de-rosa, que todos os seus tipos de sorrisos se abriam entre constelações.

E ela se fez de céu, primeiramente da boca, molhada e recém-beijada, que espera pelo toque para depois estremecer em estrelas, e dançar por dentro da pele, dentro da noite. Num céu dela, somente dele, que os fez em constelações e universos inversos, que se eclodem nas mãos juntas, os pulsos sobre postos e os corpos esfarelados em pó de céu. Esse mesmo céu que, por segundo, se fez do rosto dela, o manto dele, para proteger e acalentar, passear pelos olhos em forma de lua, cinza, cor de olhos apaixonados. Porque são transparentes, cinzas, nada cor de rosa, porque choram, e nada de vermelho, porque já deixaram de ser chama, são apenas espelhos, dele que se reflete.

E disse bem alto, desta vez, que de todas as luas cheias de todas as semanas, a sua lua minguante era a preferida, que bastava, porque o amor não basta em si, nem no outro, mas basta a lua e um céu fantasioso para se criar fantasias, no mesmo céu em que se choraram prantos. Lindos prantos, porque nada dele não era dela, nem mesmo as lágrimas, nem mesmo a boca, nem o céu.


E o céu fez lembrar o rosto dela, os olhos tinham as imperfeições da lua, e eram completos nele, na sua própria constelação. Porque os teus olhos se esparram nos meus a cada lua cheia. 

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