Eu jamais nessa estação de que é feita a vida, tinha visto tantas
outras se passarem diante de meus olhos, de teus olhos. Porque eu avisto o pôr
do sol, sem nunca tê-lo sabido, nem ver a lua cair, ou emergir. Nunca
compreendi o gelo imenso flutuando em meu coração, e aos poucos derreteu-se.
Vês estas lágrimas? O soluçar, balbuciando ímpetos de fuga, ausência de sonhos?
É todo meu iceberg, transbordando, derretendo, quente. E arde, machuca, dói,
mas quando o sol morre, a lua ainda reflete as borboletas pousando sobre meu
coração de gelo.
Este coração, que você descongelou, apalpou e trancafiou, e ele
não congelará nunca mais. E toda essa melosidade que você despejou esse açúcar
que viajou com chuvas e pingou sobre meus olhos, me adocicou. Sou aquela nuvem
alaranjada no crepúsculo melancólico das seis horas. Fui vento e tempestade,
amanhecer, eclipse, mas nunca fora pôr de sol. Somente suas mãos e olhos me
fizeram poente. Esse seus idílios de compaixão que me foram doados, sua ternura
e o verde de sua alma, me fizeram cor de rosa.
E toda sua doçura, todo seu adorado vértice de mocinho e ponta de
malandro, o faz renascer para mim a cada dia. Amar, trovejar, acariciar. Então
você amanhece, e anoitece, madruga em cada curva de meu rosto, cada silenciosa
palavra. Vive em mim. E o tempo, o rodar do mundo já não nos espanta, apenas
nos encantamos com as despedidas nos bancos de praça, azuis celestes voejando e
selando na aura do nosso tempo. Eterno. Nossa eternidade, que se cumpri a cada
piscar de olhos, enquanto os pisco, os fecho e me encontro aprumada em seus
braços. A cada marejar de duas índoles a extremos do mundo, a cada singelo
sorriso de canto, se cumpri. O que nunca havia sentindo, solidificou-se em
papel marche, com seu nome, seu tempo, nosso prólogo.
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